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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Erros

Tenho uma amiga, a Margarida, que defende que a partir passe a ter crase. Uma vez que 90% dos cartazes, textos, propagandas etc. são grafados desta forma, melhor seria esse fosse o certo, porque assim, pelo menos, não ficaríamos irritadas toda a vez que nos deparássemos com esta maldita crase antes de verbo - simples: NUNCA se usa crase antes de verbo e ponto final.

Agora tem um erro - esse é quase uma unanimidade - que me dá nos nervos: Para mim fazer, para mim usar, parar mim dizer etc. Outra vez super simples, antes do verbo no infinitivo usa-se EU, portanto, para eu fazer, para eu falar, para eu gritar etc.

Minha mãe, onde estivesse na casa, sempre que ouvia um "para mim pegar", gritava "olha la, pramim é índio. Como se fala?".

Sim, pramim é índio.

domingo, 17 de janeiro de 2010

Palavra Incomodativa

O que torna uma palavra horrível? Em geral, na minha opinião, a dissonância entre forma e significado (aliás, isso vale para quase tudo nesta vida). Detesto a palavra "orna". O som é horrível - não tem sotaque que a salve: paulistano, interiorano, carioca ou baiano. Pode tentar. Ouça. Há palavras que para se perceber o medonho delas precisa-se ouvir muitas vezes. Orna não, basta uma só. Escrevê-la, sem ouvi-la, já é medonho.

Mas, confesso, o que acho mais tremendo nessa palavra é o fato de que ela significa combinação, harmonia, enfeitar, abrilhantar e soa exatamente o contrário. Como pode? Quem teve essa infeliz ideia?

Mas, ela tem sua função: serve bem para dar o tom irônico à ideia de harmonia. “Acho que não orna, benhê”. Precisa dizer mais?